Site revela desejo de Lula: ‘Gleisi na presidência em 2021’

“Quero a Gleisi.” Foi assim, com a mesma objetividade e sem-cerimônia com que comanda os petistas há 39 anos, que Lula encarou Jaques Wagner e Humberto Costa, em sua cela em Curitiba, na quinta-feira passada, e anunciou que Gleisi Hoffmann é seu nome para presidir o PT até 2021, segundo o site Época.

Wagner e Costa estavam havia quase uma hora com o ex-presidente, que havia sido condenado um dia antes por corrupção no caso do sítio de Atibaia. Os dois ouviram calados. Não concordaram, mudaram de assunto e tentaram animá-lo. Lula não estava choroso nem reclamou da sentença. Disse saber que a juíza Gabriela Hardt o condenaria.

Nas duas horas em que ficou com os amigos, não fez nenhuma de suas brincadeiras habituais nem interagiu com os dois agentes da Polícia Federal que guardavam a entrada, como gosta de fazer. “Precisamos animar a tropa. É hora de ficarmos unidos. A Gleisi é a pessoa certa para isso”, repetiu, tentando obter de Wagner e Costa um sinal de concordância. Que nunca veio.

E que nem deve vir. Nem Wagner, nem Costa, nem boa parte dos petistas que colocaram o rosto na urna e tiveram de passar pelo crivo do “Confirma” em outubro quer na presidência do PT alguém que, sem avisar o partido, embarca para Caracas para bater palmas para Nicolás Maduro. Ou ainda que, sem conseguir andar pelas ruas de Curitiba diante do risco de vaias, se mudou de vez para Brasília com os filhos e vive em isolamento em casa.

A impopularidade de Gleisi Hoffmann chegou ao ponto de impedi-la, quando tem de ir ao Paraná, de cruzar o aeroporto Afonso Pena. Como fazem alguns ministros do Supremo Tribunal Federal, ela desce por uma escala lateral, diretamente do avião para a pista. Quando reconhecida, acelera o passo.

“Lula não tem como avaliar, de dentro da prisão, a gravidade do cenário. A Gleisi é inviável”, sentenciou um integrante do diretório nacional que tenta convencer colegas a peitar Lula e lançar uma candidatura alternativa à de Hoffmann, no segundo semestre deste ano. “Do jeito que está, o PT está preso na mesma cela que Lula”, completou.

Como confrontar um ex-presidente de 73 anos, preso há 300 dias e sem perspectiva de sair da prisão? Contrariar Lula pareceria um abandono — o maior medo do ex-presidente. Segui-lo cegamente, entretanto, significaria manter Hoffmann e o foco absoluto no “Lula livre”. “Temos de ter uma saída pelo meio. Não abandonaremos Lula, mas o partido tem de ser mais do que isso”, analisou outro petista, também do diretório nacional.

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